Francisco
Cândido Xavier
O maior e mais prolífico
médium psicógrafo do mundo em todas
as épocas nasceu em Pedro Leopoldo, modesta
cidade de Minas Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910.
Vive, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado. Completou
o curso primário, apenas. Pais: João
Cândido Xavier e Maria João de Deus,
desencarnados em 1960 e 1915, respectivamente.
Infância difícil;
foi caixeiro de armazém e modesto funcionário
público, aposentado desde 1958. Em 7 de maio
de 1927 participa de sua primeira reunião espírita.
Até 1931 recebe muitas poesias e mensagens,
várias das quais saíram a público,
estampadas à revelia do médium em jornais
e revistas, como de autoria de F. Xavier. Nesse mesmo
ano, vê, pela primeira vez, o Espírito
Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual
até hoje.
Desde os 4 anos de idade o menino
Chico teve a sua vida assinalada por singulares manifestações.
Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro
filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho
era estranho!...
De formação católica,
o garoto orava com extrema devoção,
conforme lhe ensinara D. Maria João de Deus,
a querida mãezinha, que o deixaria órfão
aos 5 anos.
Dentro de grandes conflitos e extremas
dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e
sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de um
gesto de desobediência.
As "sombras" amigas,
porém, não o deixavam... Conversava
com a mãezinha desencarnada, ouvia vozes confortadoras.
Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o
nas tarefas habituais. O certo é que os seus
primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca
os esqueceu... A necessidade de trabalhar desde cedo
para auxiliar nas despesas domésticas foi em
sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção
indefinível.
Sim, a doença também
viera precocemente fazer-lhe companhia. Primeiro os
pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois
os olhos; agora é a angina.
Francisco Cândido Xavier
(Chico Xavier) iniciou, publicamente, seu mandato
mediúnico em 8 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo.
Contando 17 anos de idade, recebeu
as primeiras páginas mediúnicas. Em
noite memorável, os Espíritos deram
início a um dos trabalhos mais belos de toda
a história da humanidade. Dezessete folhas
de papel foram preenchidas, celeremente, versando
sobre os deveres do espírita-cristão.
Depoimento de Chico Xavier: (...)
"Era uma noite quase gelada e os companheiros
que se acomodavam junto à mesa me seguiram
os movimentos do braço, curiosos e comovidos.
A sala não era grande, mas, no começo
da primeira transmissão de um comunicado do
mais Além, por meu intermédio, senti-me
fora de meu próprio corpo físico, embora
junto dele. No entanto, ao passo que o mensageiro
escrevia as dezessete páginas que nos dedicou,
minha visão habitual experimentou significativa
alteração. As paredes que nos limitavam
o espaço desapareceram. O telhado como que
se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas
que tremeluziam no escuro da noite. Entretanto, relanceando
o olhar no ambiente, notei que toda uma assembléia
de entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade,
em cuja expressão adivinhava, por telepatia
espontânea, que me encorajavam em silêncio
para o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me
para que nada receasse quanto ao caminho a percorrer."
Emmanuel, nos primórdios
da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações
básicas para o trabalho que deveria desempenhar.
Fora de qualquer uma delas, tudo seria malogrado.
Eis a primeira.
- "Está você
realmente disposto a trabalhar na mediunidade com
Jesus?"
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem...
-respondeu o médium.
- Não será você
desamparado - disse-lhe Emmanuel - mas para isso é
preciso que você trabalhe, estude e se esforce
no bem.
- E o senhor acha que eu estou em condições
de aceitar o compromisso? - tornou o Chico.
- Perfeitamente, desde que você
procure respeitar os três pontos básicos
para o Serviço... Porque o protetor se calasse
o rapaz perguntou:
- Qual é o primeiro? A resposta veio firme:
- Disciplina.
- E o segundo?
- Disciplina.
- E o terceiro?
- Disciplina.
" A segunda mais importante
orientação de Emmanuel para o médium
é assim relembrada: - "Lembro-me de que
num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu
que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo,
mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos
de Jesus e as lições de Allan Kardec
e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo
me aconselhasse que não estivesse de acordo
com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia
permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo".
Em 1932 publica a FEB seu primeiro
livro, o famoso "Parnaso de Além-Túmulo";
hoje as obras que psicografou vão a mais de
400. Várias delas estão traduzidas e
publicadas em castelhano, esperanto, francês,
inglês, japonês, grego, etc.
De moral ilibada, realmente humilde
e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens,
de qualquer espécie, da mediunidade. Sua vida
privada e pública tem sido objeto de toda especulação
possível, na informação falada,
escrita e televisionada. Ápodos e críticas
ferinas, têm-no colhido de miúdo, sabendo
suportá-los com verdadeiro espírito
cristão.
Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados
Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra,
a França, a Itália, a Espanha e Portugal,
sempre a serviço da Doutrina Espírita.
Chico Xavier é hoje uma
figura de projeção nacional e internacional,
suas entrevistas despertam a atenção
de milhares de pessoas, mesmo alheias ao Espiritismo;
aparecendo em programas de TV, respondendo a perguntas
as mais diversas, orientando as respostas pelos postulados
espíritas.
Já recebeu o título
de Cidadão Honorário de várias
cidades: Rio Preto, São Bernardo do Campo,
Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São
Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte,
em Minas Gerais; Campos, no Estado do Rio de Janeiro,
etc., etc.
Dos livros que psicografou já
se venderam mais de 12 milhões de exemplares,
só dos editados pela FEB, em número
de 88. "Parnaso de Além-Túmulo",
a primeira obra publicada em 1932, provocou (e comprovou)
a questão da identificação das
produções mediúnicas, pelo pronunciamento
espontâneo dos críticos, tais como Humberto
de Campos, ainda vivo na época, Agripino Grieco,
severo crítico literário, de renome
nacional, Zeferino Brasil, poeta gaúcho, Edmundo
Lys, cronista, Garcia Júnior, etc. Prefaciando
"Parnaso de Além-Túmulo",
escreveu Manuel Quintão: "Romantismo,
Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo, aí
se ostentam em louçanias de sons e de cores,
para afirmar não mais subjetiva, mas objetivamente,
a sobrevivência de seus intérpretes.
É ler Casimiro e reviver
'Primaveras'; é recitar Castro Alves e sentir
'Espumas Flutuantes'; é declamar Junqueiro
e lembrar a 'Morte de D. João'; é frasear
Augusto dos Anjos e evocar 'Eu'." Romances históricos
formam a série Romana, de Emmanuel, composta
de: "Há 2000 Anos...", "50 Anos
Depois", "Ave, Cristo!", "Paulo
e Estevão", provocando a elaboração
do "Vocabulário Histórico-Geográfico
dos Romances de Emmanuel", de Roberto Macedo,
estudo elucidativo dos eventos históricos citados
nas obras. "Há 2000 Anos..." é
o relato da encarnação de Emmanuel à
época de Jesus. De Humberto de Campos (Espírito),
aparece, em 1938, o profético e discutido "Brasil,
Coração do Mundo, Pátria do Evangelho",
uma história de nossa pátria e dos fatos
a ela ligados, em dimensão espiritual.
A série André Luiz
é reveladora, doutrinária e científica;
com obras notáveis e a maioria completa, no
tocante à vida depois da desencarnação,
obras anteriores, de Swedenborg, A. Jackson Davis,
Cahagnet, G. Vale Owen e outros.
Pertencem a essa série:
"Nosso Lar", "Os Mensageiros",
"Missionários da Luz", "Obreiros
da Vida Eterna", "No Mundo Maior",
"Agenda Cristã", "Libertação",
"Entre a Terra e o Céu", "Nos
Domínios da Mediunidade", "Ação
e Reação", "Evolução
em dois Mundos", "Mecanismos da Mediunidade",
"Conduta Espírita", "Sexo e
Destino", "Desobsessão", "E
a Vida Continua...". De parceria com o médium
Waldo Vieira, Chico Xavier psicografou 17 obras.
A extraordinária capacidade
mediúnica de Chico Xavier está comprovada
pela grande quantidade de autores espirituais, da
mais elevada categoria, que por seu intermédio
se manifestam. Vários de seus livros foram
adaptados para encenação no palco e
sob a forma de radionovelas e telenovelas. O dom mediúnico
mais conhecido de Francisco Xavier é o psicográfico.
Não é, todavia, o único. Teve
ele, e as exercitou constantemente, outras mediunidades,
tais como: psicofonia, vidência, audiência,
receitista, e outras.
Sua vida, verdadeiramente apostolar,
dedicou-a, o médium, aos sofredores e necessitados,
provindos de longínquos lugares, e também
aos afazeres medianeiros, pelos quais não aceita,
em absoluto, qualquer espécie de paga.
Os direitos autorais ele os tem
cedido graciosamente a várias Editoras e Casas
Espíritas, desde o primeiro livro.
Sua vida e sua obra têm sido
objeto de numerosas entrevistas radiofônicas
e televisadas, e de comentários em jornais
e revistas, espíritas ou não, e em livros
dos quais podemos citar: o opúsculo intitulado
"Pinga-Fogo, Entrevistas", obra publicada
pelo Instituto de Difusão Espírita,
de Araras; "Trinta Anos com Chico Xavier",
de Clóvis Tavares; "No Mundo de Chico
Xavier", de Elias Barbosa; "Lindos Casos
de Chico Xavier", de Ramiro Gama; "40 Anos
no Mundo da Mediunidade", de Roque Jacinto; "A
Psicografia ante os Tribunais", de Miguel Timponi;
"Amor e Sabedoria de Emmanuel", de Clóvis
Tavares; "Presença de Chico Xavier",
de Elias Barbosa; "Chico Xavier Pede Licença",
de Irmão Saulo, pseudônimo de Herculano
Pires; "Nosso Amigo Xavier", de Luciano
Napoleão; "Chico Xavier, o Santo dos Nossos
Dias" e "O Prisioneiro de Cristo",
de R. A. Ranieri; “Chico Xavier - Mandato de
Amor”, da U.E.M.; “As Vidas de Chico Xavier”,
de Marcel Souto Maior, etc.